Todos são iguais perante a lei, sem distinção de sexo, trabalho, credo religioso e convicções políticas. Será punido pela lei o preconceito de raça.
Artigo 153, parágrafo 1º da Constituição Federal Brasileira.
O problema da desigualdade
Atualmente, na maioria das nações modernas o igualitarismo é apresentado como um ideal.
Lembremos que o conceito de ideal, dentro da sociedade patriarcal capitalista, é voltado àqueles que possuem as seguintes características: europeu, homem, branco, cristão, hétero e rico. Vejamos como a história pode nos provar isso!
Em diferentes tempos e espaços, a desigualdade pode ser vista como um valor:
1. O cristianismo medieval, não se isentava de ver as classes sociais como uma posição fixa e imutável ditada pela vontade divina;
2. Da mesma forma, o hinduísmo tradicional, com seu sistema de castas, via a ascensão social como algo a ser atingido através da reencarnação.
Variação da desigualdade em tempo e espaço:
No período colonial, a desigualdade entre um não-senhor e um não-escravo era bem maior do que a desigualdade existente hoje entre o empregado e o patrão, haja vista que o primeiro remete a um período escravocrata e o segundo ao trabalho “livre”. Será?
Liberdade disfarçada (?)
O escravo romano era preso por grilhões; o trabalhador assalariado está preso a seu proprietário por fios invisíveis. A ilusão de sua independência se mantém pela mudança contínua dos seus patrões e com a ficção contínua do contrato.
Karl Marx, 1889.
Maneiras de se propôr a discussão quanto a desigualdade
Sexo e idade: estes dois primeiro, por serem elementos próximos à natureza;
Classes sociais;
Geração;
Raça;
Etnia;
Etc.
Assim,fica a pergunta: Que preconceito você pratica?
Dentro desses parâmetros, o nosso foco se dá na discussão referente a gêneros (masculino e feminino) e as formas que temos em nossa sociedade de construções culturais que fixam o pensamento ideológico de discriminação social no campo dos estudos das relações de gênero, mulheres e feminismos, afim de fortalecer a reflexão crítica e sensibilizar a sociedade para tais questões.
Endoculturação masculina
Mesmo que percebamos que a desigualdade seja universal, não significa que a razão derive das diferenças biológicas, onde observaremos que as relações sociais humanas levam a um sistema hierárquico, e as formas de discriminação de gênero usa como base as diversas formações sociais.
A Ideologia da classe dominante
“É o processo pelo qual as idéias da classe dominante tornam-se idéias de todas as classes sociais, tornam-se as idéias dominantes.”
Marilena Chauí; “O que é ideologia”, 2001.
Como isso se dá?
Pensemos o seguinte: Quem domina, domina o plano material (econômico, social e político) e o plano espiritual (as idéias).
Assim:
Apesar da divisão de classes, a dominação de uma sobre a outra se dá quando as verdades da classe dominante, passam a ser também as verdades das demais classes;
Para que isso ocorra, é necessário que a classe dominada não perceba essa divisão, mas que possuem certas características comuns enquanto humanos, onde as diferenças sociais transpareçam ser algo de menor importância;
Para que todos identifiquem-se supostamente iguais, a classe dominante começa a distribuir suas idéias, por exemplo, através da educação, da religião, dos costumes, dos meios de comunicação disponíveis e etc.
Diferenças entre os sexos:
A divisão do trabalho: Ao homem cabem os serviços mais pesados, e a mulher os trabalhos domésticos, a educação dos filhos menores, onde não se concebe por exemplo, homens dedicados ao tricô.
A divisão do trabalho e aquilo que gera renda ou não:
O homem com o trabalho pesado, passa a ser atribuído como o sexo forte e que sempre gera renda (lavoura, por exemplo).
A mulher com os afazeres domésticos, muitas vezes exerce trabalhos tão pesados quanto aos dos homens, mas são menos valorizadas por não gerarem lucro.
“Há trabalhos leves que são quase exclusivamente do sexo masculino”.
Luiz Gonzaga de Mello; “Antropologia cultural, Vozes, 2004.
A exemplo: o trabalho de escritório, principalmente o de chefia, o sacerdócio católico, a atividade parlamentar, entre outras.
Contradições:
A mulher, presa aos serviços domésticos e menosprezada pelo capitalismo, resolve trabalhar fora, e na grande maioria dos serviços, ocua poucos cargos de chefia, caindo em sua grande maioria nos serviços domésticos, seja em outras casas, se não a sua, seja em escritórios com serviços de limpeza, por exemplo.
Mais contradições
Com seus novos empregos, as mulheres começam muitas vezes a ser a mantenedora dos meios financeiros da família, mas continua numa sociedade patriarcal e machista, onde exerce suas funções nos novos empregos, visando deixar de ser discriminada, e ao mesmo tempo trabalha em casa (lavando, passando, cozinhando, cuidando da educação das crianças...).
Independência (?)
Dentro das construções culturais das sociedades machistas, a mulher foi educada para ser a pessoa que cumpre os afazeres domésticos, e o homem foi educado para ser aquele que provem o sustento da família. Quando a mulher assume um papel se não o de sua construção inicial, há o choque de dominação, onde não se sabe quem domina.
Discrepâncias sociais
Em todas as sociedade, de acordo com Mello (2004), tem-se observado que os homens são distinguidos pelo sexo. E essa distinção abrange os outros animais, os objetos, os deuses, os mitos, os símbolos.
Regras
Invariavelmente da sociedade, o que nota-se é a presença de regras e normas, disciplinando as relações sexuais, assim, essas regras distinguem o que é normal ou não. Para a nossa sociedade, uma discussão presente é a do homossexualidade.
Paradigma
Direitos humanos e cidadania nos vem a tona!
Homofobia
Preconceito com pessoas do mesmo sexo, ou com pessoas que sentem atração emocional e/ou sexual por alguém do mesmo gênero.
Regras sexuais
A homossexualidade pode ser reconhecida como algo normal?
O preconceito gerado pela homofobia
A homossexualidade masculina é discriminada por conta da afirmação de um ser da classe social dominante (gênero masculino) em inserir-se no mundo dos seres que são discriminados (gênero feminino).
A homossexualidade feminina por sua vez, é discriminada pela tentativa de inserção da classe social dominada (gênero feminino), no mundo da classe social dominante (gênero masculino).
Lembrando que o fato de alguém identificar-se de um gênero diferente ao seu sexo biológico, não é simbolo automático para a mudança de comportamento ou de sexo. Tratam-se de questões que tangem para construções culturais diversas e variáveis, de acordo com o tempo e o espaço, distintos entre eles, onde a liberdade de exercer a cidadania é imutável e assegurada por leis naturais e sociais.
Outra regra sexual: a virgindade feminina
A mulher não possui o mesmo direito do homem de se relacionar sexualmente.
O adultério
Em algumas regiões do Brasil, tal como pode-se notar grupos culturais diversos, indiferentes de estigmas, um marido traído deve cobrar com a vida da esposa e/ou de seu amante, como prova social de sua virilidade e masculinidade.
Por sua vez, quando a mulher é traída, logo lhe é atribuído estigmas diversos.
Ampliando as discussões quanto a falta de igualdade:
Para fazer parte do mundo daqueles que possuem direitos você precisa ser: europeu, homem, branco, hétero e rico.
Caso não enquadre-se nesses parâmetros, desconsidere a sua participação no mundo do “homens de direito”.
Bibliografia:CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia, São Paulo. Editora Brasiliense, 4ª edição, 2004.
MELLO, Luiz Gonzaga. Antropologia Cultural, Petrópolis. Editora Vozes, 11ª edição, 2004.
PARO, Vitor Henrique (Org.). A teoria do Valor em Marx e a educação, São Paulo. Cortez Editora, 2006.
E-mail: conceicaojuniohora@hotmail.com
Está bom mesmo, isso foi o que você nos passou na escola quando divulgou o concurso de redação, pois essas argumentações me ajudaram muito a montar minha redação. Muito legal essa idéia de criar um blog sobre essa questão de gêneros, isso não só me ajudou e está ajudando, como ajudará a muitos alunos a ver melhor e pensar sobre essa questão, e como cada um vai fazer a sua parte para tentar mudar isso.
ResponderExcluir