
No vão livre do Museu de Arte de São Paulo, homens e mulheres de diversas idades, levantaram cartazes e manifestaram suas indagações com as seguintes frases: “Amo bronzeamento, isso é crime?”, “O mundo libera, o Brazil (sic) proíbe?”, “Anvisa, cadê as provas?”... Rapazes musculosos, inclusive com propaganda nas suas camisetas do Clube das Mulheres (SP), senhoras que nos lembram “peruas” e adolescentes com vestimentas praianas também compareceram.
Muitos foram mais ardilosos e politicamente “bem instruídos” citaram as seguintes frases: “Lula colocou um ditador na Anvisa” e ainda, “Voltamos a ditadura”. É uma dúvida grande à nossa sociedade qual a idéia que estas pessoas tinham de ditadura. Mas o grito de guerra foi forte: “Bronze, bronze, bronze”.
Sabemos que todos possuem direitos e fazem o que achar mais conveniente com o seu corpo, contanto não afete as demais pessoas. O nosso maior problema é que aquelas pessoas não viam além de seus corpos “dourados”, ou se algo enxergavam, faziam questão de ignorar o fato da popularização indiscriminada do bronzeamento artificial.
Ora, pensemos o seguinte, quanto mais acessível e mais ostentoso, maior é a vontade de uma massa desavisada em utilizar o produto, assim, o uso das máquinas de bronzeamento artificial vem crescendo gradativamente, o que é preocupante para a Anvisa e para o SUS (Sistema Único de Saúde).
De acordo com dados desses orgãos, o câncer de pele é o de maior incidência no Brasil, além de ser também o responsável por 25% dos registros de tumores malignos. Será que aquelas senhoras “meio peruas”, os adolescentes com suas vestimentas praianas e os rapazes musculosos usam o serviço público de saúde? Pois é, quando se populariza, mais pessoas usam algum produto, no nosso caso, o bronzeamento artificial, e com todos os índices que possuímos de câncer de pele, imaginemos agora mais e mais pessoas de baixa renda, sem bons planos de saúde (se é que isso existe no País), ajudando a aumentar as filas de pessoas com problemas na pele decorrentes dos raios ultravioletas!
Carla Vidal, dermatologista e dona de uma clínica de tratamento e estética em São Paulo (que não oferece bronzeamento artificial), disse que há onze anos a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apóia a decisão da Anvisa.
Pelo visto, a “nossa sociedade” sabe cobrar bem os seus direitos, mas voltando às interrogações a respeito da ditadura. Aquelas pessoas sabem que ao contrário do Chile que puniu mais de 230 pessoas que participaram de ditadura militar, inclusive um ex-ditador, o Augusto Pinochet, o Brasil sequer abriu os arquivos desse fato histórico? Enquanto isso, mães e filhos choram a perda de seus entes que lutaram na ditadura militar para que pessoas como aquelas que estavam no dia 30 de Novembro na Avenida Paulista pudessem manifestar-se livremente!