quarta-feira, 11 de novembro de 2009

“O 15 de Novembro”, de Ângela de Castro Gomes e “O diálogo convergente: Políticos e Historiadores no inicio da República”, de Maria de L. M. Janotti.

A princípio, ambos os textos nos apresentam um problema quanto ao mesmo período da história brasileira, o da Proclamação da República no 15 de novembro de 1889.
Podemos dissertar a respeito do que a autora Ângela de Castro Gomes observa sobre a visão da população perante o ocorrido e o que essa população fez, ou melhor, o que essa população não fez quando deu-se o movimento que depôs o príncipe D. Pedro II e empossou o general Deodoro da Fonseca no 15 de novembro, onde essa população assiste “bestializada” ao que acontecia no país, fazendo com que a elites assumissem o poder da forma coma qual a mesma desejasse.
Em contrapartida, Maria de Lourdes Mônaco Janotti levanta a idéia de que a população não assistiu “bestializada” ao que sucedia no Brasil com o fim do governo monárquico imperial, apesar de citar autores que também se utilizam deste termo, tal como Caio Prado Jr., mas houveram manifestação políticas internas dos grupos então formados, principalmente no que diz respeito a nascente classe burguesa que não possuía idéia de classe ainda no Brasil, mas se organizava afim de obter lucros financeiros e sociais da República.
É possível observar ainda que Ângela Gomes apresenta a República de 1889 com base nos relatos de alguns dos principais jornais do período unidos aos relatos de autoridades e documentos das mesmas, enquanto Janotti usa do espaço em que escreve, de cientistas diversos que fizeram menções ao início da República brasileira que nascia.
Neste vai-e-vem de argumentos ambas mostram, de forma discreta, a relação contraditória entre Mal. Deodoro e D. Pedro II, onde nota-se que apesar do golpe dado, sempre existiu certa “cordialidade natural brasileira”, e que fez com que se mantivesse tal cordialidade durante e depois do golpe para evitar levantes populares, uma vez que a figura de D. Pedro II, se fazia forte. Apesar de Ângela Gomes defender que o Imperador fosse um homem forte, muito provável pelo “desenvolvimento” agroexportador do Brasil, munido de avanço industrial mesmo que este de forma pequena. Mas Janotti vem a atribuir em seu texto, que o Brasil sempre possuiu esse caráter agroexportador, mas que os avanços industriais não se deram por conta da figura do Imperador, mas pelos próprios movimentos republicanos pré-república e no decorrer desta.
Os trabalhos das duas consegue caminhar em conjunto, mesmo que sem intencionalidade, quando comentam a respeito da insegurança da nova República, haja vista o temor de uma revolução, de um lado da população nem tanto “bestializada”, quanto das classes sociais instauradas mas sem muita consciência de tal, com exceção à aristocracia.
Ângela de Castro Gomes visou em seu trabalho questionar os motivos que levaram a República e como se deram tais acontecimentos, buscando de forma interiorizada argumentativa dos fatos do ponto de vista dos brasileiros, enquanto Maria de Lourdes Mônaco Janotti levanta os mesmos questionamentos, mas ao mesmo tempo visando abordagens tanto de autores brasileiros quanto de estrangeiros e apontando visões historiográficas distintas, tais como weberianas, da nova história francesa e teorias marxistas.

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