quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PROJETO COMUNITÁRIO: Meio ambiental, história, cultura digital e cidadania


O que? Como? Porque? Onde? Quem?

A região do Extremo Sul da Bahia é marcada por um ciclo de exploração dos recursos naturais, uma realidade histórica a nível nacional.
Desde que Pindorama (Terra das palmeiras na língua Tupinamba, e como os mesmo chamavam o território que habitamos antes da invasão portuguesa em 1500) “morreu” e fundaram o Brasil, como uma invenção europeia (CHAUÍ, 2001), passamos por um processo de exploração, onde, de acordo com Fausto (1994), as terras dominadas serviram às metrópoles do mundo desde 1500 como central agroexportadora de gêneros primários e aquisição de produtos industrializados.
Inicia-se com a extração do pau-brasil, posteriormente a implantação do sistema de plantation com a cana-de-açúcar escravizando indígenas e em seguida negros arrancados da África, passou para o Café, diversificou regionalmente com a exploração das seringueiras no Norte do País, e a nível de Bahia teremos o Cacau, Café e os latifúndios de grande porte.
Com estas perspectivas é que pretende-se desenvolver no Telecentro instalado na Organização Não Governamental Espaço Cultural da Paz o referido Projeto.
Esta ONG, situa-se na cidade de Teixeira de Freitas, Extremo Sul da Bahia, que apesar de não ser banhada pelas águas do Oceano Atlântico, recebe influências sociais, culturais e geo-climáticas, pela sua proximidade com o litoral (Cerca de 65 km).
Temos por objetivo neste projeto Desenvolver o pensamento crítico através de um levantamento histórico-regional e estudar com os envolvidos no Projeto sobre a expansão da monocultura do eucalipto e os impactos sócio-ambientais que este processo trás para a cidade, bem como formar multiplicadores.

Acordamos por uma sistematização, um passo-a-passo, que pretende seguir assim:

•Promover círculos de debates sobre a problemática apresentada;
•Desenvolver blogs onde os participantes do Projeto possam postar textos e imagens próprios sobre os temas discutidos nos círculos;
•Estudar a possibilidade de se encontrar formas diferentes de desenvolvimento que não segregue muitos e beneficie alguns;
•Desenvolver a consciência crítica solidária no que se refere aos direitos humanos, na percepção de que o respeito ao meio ambiente se trata do respeito à vida de todo o planeta, inclusive da própria humanidade;
•Auxiliar para que haja a formação de multiplicadores, pessoas que possam desenvolver, independe do Espaço Cultural da Paz e do Telecentro, a visão de um meio ambiente mais agradável socialmente entre qualquer forma de vida, seja humana, animal ou vegetal;
•Produção de textos, bem como de músicas, poesias, danças e diversas outras manifestações artísticas, de acordo com a possibilidade de cada pessoa envolvida no projeto, que passem a idéia de preservação do meio ambiente e das culturas populares que respeitem o ser humano.

Inicialmente pensamos que este projeto pudesse ser aplicado para frequentadores do Centro Digital de Cidadania (CDC), instalado na ONG Espaço Cultural da Paz de Teixeira de Freitas, mas o proponente deste projeto, por trabalhar com uma turma de História da Cultura Popular Brasileira, entendeu que a participação desta turma seria enriquecedor para a criação dos blogs. Ao mesmo tempo, ninguém foi obrigado a participar, foi-se apresentado o Projeto Comunitário, e de acordo com a disponibilidade de cada pessoa, a mesma foi/vai ao CDC-Telecentro para o desenvolvimento dos blogs no turno vespertino.

Este projeto justifica-se por hoje, no Extremo Sul Baiano (localidade onde o Projeto buscará discutir), ser marcado pela exploração do eucalipto para a produção de papel e celulose, bem como de outros mega-empreendimentos como as fazendas de camarões, havendo cidades em que mais de 85% de sua área agricultável encontra-se nas mãos das empresas que disseminam o “deserto verde ” (KOOPMANS, 2005).
Tal processo esgota os recursos naturais do solo, como a água e os nutrientes do solo, por exemplo, causando o empobrecimento do solo por não haver manejo sustentável. Além do mais, expulsa os trabalhadores do campo e as comunidades tradicionais , destruindo culturas, pois as práticas sócio-culturais destas comunidades se baseiam nos recursos encontrados na diversidade do meio ambiente (MELLO, 2004).
Há a problemática ainda de que a expulsão destas pessoas de seus territórios historicamente construídos, acarreta o inchamento da zona urbana, como a cidade de Teixeira de Freitas (município onde fica o Telecentro que o autor deste Projeto atua), que não foi estruturada a nível logístico de saúde, educação, lazer e moradia, partindo estas pessoas para as periferias, sem condições básicas de viver, o que acaba por desencadear problema como desemprego, subempregos, prostituição (principalmente infantil), tráficos de drogas, dentre outros, tendo um Estado omisso que não desenvolve políticas públicas para que as pessoas, tanto da zona rural quanto a urbana, tenham condições dignas de viver.
Outro problema é o alto índice de natalidade, onde a cidade, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) saltou de pouco mais de 125.000 mil habitantes em 2006, para mais de 133.000 em 2010 . Ou seja, não há um política de controle de natalidade, e desencadeia problemas ambientais urbanos, haja vista que mais pessoas nascendo, implica em mais consumo, e mais produção de lixo e dejetos.
Temos na cidade de Teixeira de Freitas, o agravante de continuarmos, desde 2006, como a 8ª cidade do país em que mais se matam jovens no Brasil, um problema decorrente da explosão demográfica, bem como da falta de oportunidade educacional, de saúde e cultura.
Antes essa população vivia da agricultura familiar. Com os recursos naturais se esgotando, principalmente rios e córregos, automaticamente a produção agrícola cai, ficando somente as empresas monocultoras, que conseguem manter-se em decorrência à alta tecnologia que modifica geneticamente as mudas de eucalipto e aplicação de agrotóxicos (KOOPMANS, 2005).
Dentro desse quadro, o presente Projeto justifica-se, visando dialogar com a comunidade sobre tais questões, partindo do bairro São Lourenço , onde o Telecentro está localizado e que é mantido por uma Organização Não Governamental (ONG), o Espaço Cultural da Paz.

Como metodologia, definimos além do Círculo de Cultura (Paulo Freire), a seguinte abaixo:


•Reprodução de curtas metragens e documentários:

1.“Mokussuy” (Peixe na língua Pataxó.) é um documentário que apresenta conceitos, visões e experiências com as principais áreas marinhas protegidas na Região dos Abrolhos, Bahia. Através de depoimentos de pescadores, marisqueiras, gestores e pesquisadores, o mosaico de unidades de conservação marinha costeira da região vai se revelando entre belas paisagens e imagens subaquáticas.
O filme busca ainda unir arte, tradições, saberes locais e conhecimento científico;
2.“Não mangue de mim” (Aprox. 18 min.), Avenida Filmes, Caravelas – BA: O curta trabalha com a idéia de preservação do manguezal, partindo do pressuposto de que é fonte de alimentação e renda familiar. Produção local, numa iniciativa do Grupo Cultural ArteManha (Caravelas – BA), Direção de Jaco Galdino;
3.“É tudo mentira” (Aprox. 10 min.), ArteManha e Ecomar, Caravelas – BA): Este é um vídeo que discute a relação das comunidades tradicionais com as empresas monocultoras com promessas diversas, mas que acabam por implantar um sistema de desequilíbrio ecológico, a partir do momento em que desenvolvem práticas extremamente diferentes das que corriqueiramente ocorrem na região.

Visões a nível mundial sobre as questões ambientais:
1.“Que fenômeno é esse?”. (Aprox. 19 min.): O filme é uma introdução do tema Mudanças Climáticas. Explica o que é o efeito estufa, como e por que a concentração de gases faz com que a temperatura média do planeta aumente, além de causar derretimento das coletas polares, entre outros impactos;
2.“Cenários para o futuro” (Aprox. 22 min.): Este vídeo faz uma previsão de como será o planeta em algumas décadas se nada for feito para deter o aquecimento global. Segundo os cientistas, a temperatura média pode aumentar de 2º até 4º Celsius. No Brasil, a Floresta Amazônica pode dar lugar a um grande cerrado, enquanto o Sul, fortes chuvas podem provocar mais enchentes;
3.Zugzwang (Aprox. 15 min.): Traz uma série de entrevistas com cientistas e especialistas do Brasil, Índia e Estados Unidos, que discutem a matriz energética mundial e sua relação com as mudanças e o aquecimento global. Apresenta as possíveis soluções para atingir um modelo de desenvolvimento socialmente mais justo e ambientalmente mais saudável.

•Leitura e interpretação de textos sobre a questão sócio-ambiental da região do Extremo Sul Baiano:

a.“Breve histórico da invasão portuguesa ao Brasil em 1500 e suas consequências diretas sobre negros e índios” (Texto de autoria do proponente deste projeto);
b.“Jubileu do grileiro” (Texto de autoria do proponente deste Projeto, publicado no periódico “Carta Capital”;
c.“Fomento Zero” (Rede Alerta Contra o Deserto Verde, FASE – ES);
d.“Plantações não são florestas” (Fundação Padre José Koopmans);
e.“Carta da Terra” (Livro Além do Eucalipto [KOOPMANS]);
f.Produções do Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Extremo Sul da Bahia (CDDH).

Previsão segundo o cronograma de trabalho (2011):

1.Entrega do projeto ao Tutor: 2 de Outubro;
2.Reunião com a direção da ONG quanto à organização e divulgação do projeto: 3 de Outubro;
3.Divulgação: 4 a 7 de Outubro;
4.Início das atividades: 10 de Outubro;
5.Término: Indefinido.

Referências

CHAUÍ, Marilena. Brasil: Mito fundador e a sociedade autoritária. 3. ed. São Paulo. Editora Fundação Perseu Abramo. 2001.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. Editora da Universidade de São Paulo: Fundação do Desenvolvimento Educacional. São Paulo, 1994.

KOOPMANS, Josephus Julius Maria. Além do eucalipto, o papel do extremo sul. CDDH. Teixeira de Freitas, 2008.

MELLO, Luiz Gonzaga de. Antropologia cultural. Vozes. Petrópolis, 2004.


Filmografia

AVENIDA FILMES. É tudo mentira. ArteManha. Caravelas, 2010.
_________. Não mangue de mim. ArteManha. Caravelas, 2009.
_________ .Mokussuy. ArteManha. Caravelas, 2009.

EDITORA HORIZONTE. Cenários para o futuro. Globo Ecologia. São Paulo, 2009.
_________. Que fenômeno é esse?. Globo Ecologia. São Paulo, 2009.
_________. Zugzwang. Globo Ecologia, São Paulo, 2009.

Periódicos

CONCEIÇÃO in CARTA CAPITAL. Jubileu do grileiro. ISSN 1809-6697, nº 575. São Paulo, Dezembro de 2009.

FUNDAÇÃO PADRE JOSÉ KOOPMANS. Plantações não são florestas. Teixeira de Freitas, 2011.

REDE ALERTA CONTRA O DESERTO VERDE. Fomento zero: Por que dizer não ao plantio do eucalipto? FASE. Vitória, 2010.

Webgrafia

Sítio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível aos 25 de Setembro de 2011, às 14:57 h.

O projeto está em andamento, onde abaixo é possível encontrar os blogs também em andamento. Vale lembrar que se tratam de criações de estudantes entre 11 e 17 anos (Aqueles que se dispuseram), e procurei interferir o mínimo possível. Após a criação dos blogs, identfiquei erros ortográficos que logo serão corrigidos.
No dia em que criamos os blogs começou uma chuva forte, e desligamos os computadores, mas é algo que já estamos providenciando.

http://saibamaiscomgustavo.blogspot.com/

http://meiopopulardayasmin.blogspot.com/

http://popularcompatricia.blogspot.com/

http://paisdevariasculturas.blogspot.com/

Um comentário:

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